Precisamos falar sobre sazonalidade - Rancho Orgânico

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Precisamos falar sobre sazonalidade

Precisamos falar sobre sazonalidade…

Sazonal é um adjetivo que se refere ao que é temporário, ou seja, que é típico de determinada estação ou época. A sazonalidade de um evento representa que este costuma ocorrer sempre num momento temporal específico. Por este motivo, a palavra sazonal é bastante usada para se referir aos alimentos que são produzidos exclusivamente em determinada época do ano.

Os produtos sazonais costumam variar de acordo com a sazonalidade climática do local. Em países com um clima sazonal acentuado (regiões temperadas), as características das quatro estações do ano costumam ser bem definidas: verão, outono, inverno e primavera.

Etimologicamente, a palavra “sazonal” se originou a partir do latim satio, que por sua vez é derivado do verbo serere, que quer dizer “plantar” ou “semear”. Antigamente, as pessoas associavam o período (estação) de plantar com este termo, dando origem ao atual significado da palavra.

Hoje em dia, é normal encontrarmos nos corredores do mercado framboesas da Holanda, pêssegos do Peru, cogumelos da França, maçãs da Argentina, salmão do Chile. A lista não para! Mesmo dentro Brasil, encontramos alimentos vindos de norte a sul. E isso não é nada que nos impressione — é o normal, não é mesmo?

Poucas vezes nos preocupamos se estamos comprando a fruta do produtor aqui do lado, ou se ela vem da China. E isso não é porque queremos acabar com a produção local, estimular o comércio chinês ou porque sentimos prazer em consumir alimentos que chegaram até nós depois de dar meia volta ao mundo.

Nós simplesmente não conseguimos perceber que uma compra de mercado tem muitos efeitos atrelados. E isso acontece porque estamos desconectados: do alimento, do ciclo no qual ele está inserido, do campo, do meio ambiente, do produtor.

Como chegamos até aqui?

Não se engane, os grandes mercados surgiram há pouco mais de 50 anos. O que significa que, até pouco tempo, as pessoas estavam limitadas a fazer as suas compras nos pequenos mercados de produtores no local onde moravam, onde encontravam apenas produtos sazonais colhidos nas redondezas. Salvo alguns produtos processados que normalmente estavam disponíveis nas mercearias locais, como arroz, macarrão, grãos e azeite.

Assim, cada estação trazia consigo um mix de alimentos que era a base da alimentação durante aqueles meses. E, consequentemente, os pratos eram criados de acordo com os produtos disponíveis.

As pessoas comiam o que a natureza dava, e a sua dieta era um reflexo da sazonalidade dos alimentos. Acredite, isso nunca foi ruim. Este equilíbrio contribuiu para a formação das diferentes culturas. Por que comemos milho nas festas juninas? Porque é em junho o auge da sua colheita. Por que era tão comum fazer geleia? Pois era a única forma de conservar as frutas e alguns vegetais, como abóbora, para os meses em que eles não estariam mais disponíveis.

Se analisarmos bem, a cultura alimentar de cada povo se pauta pela sazonalidade dos alimentos típicos do seu país.

Mas aí… Surgiram os grandes mercados…

Com o desenvolvimento da indústria de agrotóxicos e da infraestrutura logística, criaram-se as condições necessárias para o surgimento da indústria alimentar. E, depois, dos grandes mercados.

Os fertilizantes químicos garantem que qualquer colheita dê o ano todo, praticamente em qualquer lugar, e o avanço dos meios de transporte permitem que os produtos cheguem aos quatro cantos do mundo, quase sem esforço. Ou seja, passamos a ter tudo disponível o tempo todo. Como tudo está à nossa frente, no mercado, pronto para ser comprado, simplesmente não desenvolvemos mais o hábito de comer local e sazonal.

Esquecemos que as frutas e vegetais estão inseridos em um ciclo da natureza e que o seu momento de plantio e colheita são limitados a certos períodos do ano. Achamos normal comer tomate o ano todo, ou milho, abobrinha, abóbora e alho poró. Assim como não nos espanta encontrar morangos em dezembro ou frutas vermelhas importadas da França (consegue imaginar suas frutinhas viajando de avião só para você poder comê-las onde quiser, quando quiser?).

Fomos nos acostumando a toda esta oferta que nos desconectou do campo e dos ciclos da natureza. Chegou a hora de um novo mindset, um novo jeito de se pensar!

Como tudo ficou tão acessível, a gente se acostumou a ter tudo. E não se engane: isso tem deixado marcas no meio ambiente. Seja pelo fato de estarmos usando agrotóxicos nas lavouras, ou pelo contínuo aumento da área de desmatamento para que se plante mais, ou até mesmo pela extinção de algumas espécies vegetais e animais devido ao hiperconsumo.

Mais ainda: hoje em dia, além da desconexão — ou talvez devido a ela — deixamos de valorizar o trabalho do produtor, a pessoa responsável por cuidar do nosso alimento (um cargo bem importante, não acha?).

Comer sazonal é a melhor dieta! Não é só o planeta e os produtores que estão sendo prejudicados com esta nova forma de consumo. A nossa saúde também.

Durante cada estação, o nosso corpo tem necessidades diferentes, especialmente devido às mudanças de temperatura. Por isso, os alimentos que dão em cada época do ano são os melhores para suprir aquilo que o nosso organismo precisa naquele momento.

Já parou para pensar por que a tangerina dá no Inverno e a melancia no Verão? A primeira é riquíssima em vitamina C, ajudando a prevenir os resfriados, já a segunda contém muita água, para nos hidratar nos meses mais quentes do ano.

Uma dica: deixe que a natureza escolha por você! E claro, abandone, sempre que possível, os alimentos muito processados, optando pelos frescos, limpos e sazonais. O nosso corpo está em equilíbrio com a natureza, por isso cada estação traz consigo os alimentos que você precisa para se manter mais saudável.

Vamos nos conectar de novo. É tão fácil: só precisa escolher bem!

 

Fonte: Clube Orgânico

 

PS: Achamos esse link muito bacana para pesquisar sobre a sazonalidade das frutas, verduras e legumes no Brasil! Ainda que não seja completo, pode nos dar uma ótima noção sobre a época certa de cada alimento!

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